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Traição: de quem é a culpa?

Traição: de quem é a culpa?

Foto de Gabi Benvenutti
Gabi Benvenutti
3 minutos de leitura
De quem é a culpa na traição por gabi benvenutti

Essa semana, gravando pro meu podcast Conto de Fodas, contei a história de quando a esposa de um cliente — na época da Lola — descobriu o nosso “affair”, me ligou e me falou poucas e boas (ou talvez eu devesse dizer “muitas e horríveis”). Eu era uma menina naquela época. Apenas uma jovem estudante em São Carlos, que tinha acabado de iniciar a carreira de “jobs”. As palavras daquela mulher me deixaram arrasada. Além dos xingamentos de praxe, ela me acusava de estar “destruindo uma família” com a denominada traição. Aquilo mexeu comigo.

Um outro episódio desse tipo aconteceu quase na mesma época. O dono de uma academia onde eu treinava me contratou. Porém, eu só descobri isso quando o atendi pela primeira vez e ele me contou; eu nunca tinha visto a cara dele por lá e, muito menos, tido qualquer interação com ele.

Eu andava feliz da vida porque tinha comprado o meu primeiro carro: um Fiat 500 vermelhinho e estiloso, com bancos creme, que eu amava e cuidava como uma joia. Minha Ladybug amada. Com receio de manobrar no apertado estacionamento da academia — e também porque eu não tinha nenhuma experiência em manobrar, ainda que fosse um mini carro — eu costumava parar numa rua lateral da academia. Um dia, saindo do treino e indo em direção ao local onde eu tinha estacionado, notei que havia algo estranho. Quando cheguei perto, mal podia acreditar no que via. Eu me sentia despencando de um prédio de 200 andares: meu carro inteiro riscado com os dizeres “Sua vaca, sua puta, saiu com meu marido”. TODA a lataria havia sido riscada. Fiquei paralisada uns 5 min, sem saber quem eu era ou de onde tinha vindo.

Obviamente, o dono da academia negou que a mulher pudesse saber de algo, mas fazia sentido que só alguém que tivesse certeza de que:
a) aquele era meu carro,
b) eu parava sempre ali e que
c) demoraria 1 hora pra voltar,

teria colhões para fazer aquilo.

A culpa na traição

Desde então, eu sempre me pergunto sobre a culpa em relação a uma traição. Eu consigo entender a dor e humilhação de alguém que foi traído, mas será que isso dá o direito de interpelar o terceiro? Afinal, o compromisso ocorre entre o casal. Se estou em um relacionamento e temos um combinado, a quebra dele é responsabilidade desse núcleo primário. Foi ele quem me prometeu ser fiel, me amar e respeitar. É ele quem me deve — se é que alguém deve algo a alguém — explicações.

Podemos questionar a integridade de um homem ou uma mulher que sai com casados(as)? Isso define o caráter de alguém? Pelo sim ou pelo não, acredito que criar um barraco com essa pessoa só torna a situação ainda mais humilhante, digna de pena. A verdade é que ninguém tem dó de corno. Pior ainda se o corno — a menos que seja cuckold — se recusa a terminar o relacionamento, numa crença ingênua de que o outro vai mudar.

Talvez o melhor a se fazer nesses casos seja olhar para dentro de si mesmo — em vez de culpar o(a) amante — e modificar a rota: entender possíveis falhas e redefinir combinados ou reconhecer a falta de caráter do outro e terminar a relação.

Encarar a responsabilidade pelas nossas escolhas é um doloroso passo rumo à maturidade. Reconhecer o nosso papel nas decisões que nos levaram até aqui é uma premissa básica na escala evolutiva. Talvez os primatas estejam se saindo melhor do que a gente…

E você? O que acha dessa polêmica? Quem é o culpado na traição?


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