Seja indetectável ao HIV- Dia Mundial de Combate à AIDS

1° de dezembro é celebrado o dia Mundial de Combate à AIDS, e para dar voz a essa pauta tão importante, o Fatal Model conversou com Lucian Ambrós, autor do livro “Guia Quase Completo Como Viver com HIV” e Criador do Projeto @posithividade.

A data relembra a importância de falar sobre o assunto e levar informações importantes para a discussão, quebrando tabus e livrando a conversa de quaisquer preconceitos.

Entendendo a Diferença entre HIV e AIDS

Para dar inicio a conversa, é importante definir a diferença entre HIV e AIDS:

HIV é o vírus que infecta as pessoas, atacando os linfócitos CD4 e incapacitando o sistema imunológico de agir de maneira plena. A AIDS por sua vez, é quando uma pessoa vivendo com HIV fica com a imunidade muito baixa, abrindo brechas para infecções e doenças oportunistas.

Assim, é possível que uma pessoa vivendo com HIV  nunca chegue ao estágio de AIDS, mas para isso, é muito importante iniciar o tratamento contra o HIV quanto antes, para não dar brecha ao vírus.

A importância do teste

Tudo começa com o teste, ele é o primeiro grande passo na busca por uma vida melhor com HIV. É tão comum o autocuidado na estética, na saúde dentária, na saúde mental, mas por que não ter o mesmo carinho e cuidado na saúde sexual?

As pessoas se cuidam pra muitas coisas. Fazem botox, passam protetor solar, passam creme nos cabelos… e isso é auto cuidado, porém, se testar também é um auto-cuidado.

Independente do sexo, gênero, orientação sexual ou cor de pele, todos estão sujeitos a se infectar pelo HIV e é somente através do teste que há a chance de vencer o vírus, evitando o estágio da AIDS. O exame pode ser feito de maneira gratuita pelo SUS e realizado com toda discrição que desejar.

Existe um tabu em relação a sexo, porém precisamos quebrar esse estigma. Qualquer pessoa pode se infectar, qualquer pessoa está propensa, afinal, somos humanos.

O diagnóstico e os preconceitos por trás da infecção 

No momento em que é descoberto o diagnóstico positivo para HIV, é comum a pessoa carregar para si todos aqueles preconceitos que ouviu durante a vida inteira. Esses estigmas vão desde que a pessoa que vive com HIV é magra, promíscua, suja, até de que viver com HIV é igual a uma sentença de morte. Todos esses estigmas são criados através do imaginário social de uma sociedade preconceituosa e de uma cultura que condena antes de buscar entender.

E justamente por conta desses preconceitos que é comum sentir medo de como será, de como a família e amigos vão reagir, como os colegas de trabalho vão lidar e esse receio muitas vezes dificulta o processo de aceitação e busca de tratamento.

No início eu também passei por tudo isso. Tinha medo de alguém ouvir o barulho do remédio e descobrir que era medicação, ter que dar explicação de porquê estava tomando remédio… tudo isso foram coisas que acabaram impactando e atrasando meu tratamento.

Mas apesar de normal sentir tudo isso, esse medo e pressão social não pode impedir ninguém de agir e buscar ajuda. Com o tratamento regular, a pessoa vivendo com HIV pode manter uma vida normal, realizando inclusive relações sexuais sem risco de transmissão, evitando o estágio da AIDS ou a infecção por doenças oportunistas.

Como funciona o Tratamento do HIV

Para entender o tratamento, é importante antes entendermos que o HIV é um vírus que se conecta as células CD4, utilizando a mesma para se multiplicar, acarretando na queda do número desses linfócitos, deixando a pessoa suscetível a doenças oportunistas ou ao estágio de AIDS.

Já o tratamento, ele é feito através do uso de medicamentos antirretrovirais que impedem justamente essa multiplicação do vírus, combatendo a infecção e fortalecendo o sistema imunológico. Nas palavras do criador do projeto do Posithividade:

O tratamento serve como uma barreira contra o HIV, não deixando o vírus mais se multiplicar no organismo. Não havendo mais essa multiplicação, a CD4 volta a elevar.

Ainda sobre o tratamento do HIV, Lucian explica:

Existem 4 estudos que comprovam cientificamente (HPTN52, Partner1, Partner2 e Opposites Attract) que se relacionar com uma pessoa que vive com HIV e está indetectável a mais de 6 meses, não transmite o vírus via relações, mesmo que tenha sangue, sêmen ou líquido pré-seminal.

Assim, temos que o tratamento não somente coíbe a multiplicação do vírus, como também previne a infecção pelo HIV, impede que doenças oportunistas se beneficiem da fragilidade do CD4 e permite que casais sorodiferentes mantenham relações sexuais de maneira segura.

Cuidados para não contrair o vírus

Existem vários métodos e cuidados que pode-se tomar para não contrair HIV. Entre os principais estão:

  • Uso de preservativo (interno ou externo);
  • Utilização do PrEP;
  • Utilização do PEP [caso exposto ao vírus];
  • Utilização de gel lubrificante durante as relações;
  • Realizar testes de HIV e outras ISTs com frequência;
  • Entre outros.

E aqui vale uma observação mega importante, de que a informação é a melhor arma para combater o HIV, então procure se informar, faça o teste regularmente e viva uma vida mais tranquila.

Inclusive, se você quiser se aprofundar no assunto, temos aqui em nosso blog um artigo especificamente sobre PrEP e PEP que vale a pena conferir:

HIV não é o fim

Apesar de todo o medo gerado por esse mundo de preconceitos, ser uma pessoa vivendo com HIV não é o fim. Com o avanço da medicina, é possível viver com o HIV e nunca chegar ao estágio da AIDS. Por isso, ao ser diagnóstico com HIV, não perca tempo e inicie o seu tratamento.

Nos dias atuais as pessoas vivendo com HIV não precisam mais se submeter a enormes números de comprimidos ou a procedimentos complicados e caros. O tratamento para HIV pode ser encontrada de maneira gratuita pelo SUS e, tomando os remédios regularmente, pode-se tornar indetectável, ou seja, com o vírus sob controle e sem a chance de transmitir o HIV.

Você não precisa lutar sozinho!

Se você foi diagnosticado com HIV, não perca a esperança, você não está sozinho! Hoje existem diversas formas de buscar ajuda e de encontrar comunidades engajadas na busca por uma vida comum, mesmo após o diagnóstico. O projeto @posithividades, por exemplo, é um espaço lindo onde você pode encontrar uma comunidade que passa pelos mesmos medos e dores que você. Nas palavras do idealizador do projeto:

O Posithividade faz as pessoas não passarem por tudo isso sozinhas, através de histórias de outras pessoas, através de situações que eu trago, as vezes engraçadinhas, mas pra aquela pessoa que talvez já passou pela mesma situação é engraçada, porque ela se vê dentro daquilo.

Além disso, muitos postos de saúde do SUS contam com acompanhamento psicológico e assistência médica regular, facilitando que você viva de maneira plena e com espaços para ser ouvido.

É muito mais difícil quando você está sozinho, mas quando as pessoas estão unidas, quando há pessoas ali próximas passando pela mesma situação, é muito mais fácil você destruir o preconceito

Há vida após o diagnóstico e ela pode ser tão bela quanto era antes. Viver com HIV não é sinônimo do fim, você pode ainda ter uma vida normal como bem quiser.

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