Aqui no Fatal Model, uma das principais preocupações é ser uma plataforma cada vez mais inclusiva, aberta e acolhedora para todos os públicos. Sendo assim, no mês do orgulho LGBTQIA+ nosso foco não poderia ser diferente.

Por isso, no Fatal Blog e em todas nossas redes sociais, trouxemos temáticas de extrema relevância, como o texto sobre Gênero e Sexualidade, disponível aqui no blog. Importante não só para o público LGBTQIA+, mas também para toda a sociedade.

Mas agora, nesse primeiro relato de uma série de entrevistas que realizamos com membros da comunidade LGBTQIA+, conversamos com a Kelly Medeiros, embaixadora Fatal Model, acompanhante, e mulher bissexual.

Kelly Medeiros e sua sexualidade

Falar sobre bissexualidade, um assunto que eu vivo no meu dia a dia, e particularmente amo, é importante e libertador para mim.

A bissexualidade, nada mais é, do que a atração romântica e/ou sexual por ambos os gêneros, tanto homens, quanto mulheres. A bissexualidade não significa necessariamente sentir a mesma atração por ambos, muito pelo contrário. Comumente, inúmeras pessoas bissexuais possuem preferencias distintas, mas não exclusivas, por um gênero mais que o outro. O que não significa que essas pessoas não sejam bissexuais.

Me descobri bissexual aos 13 anos de idade. Eu já sentia atração pelos dois gêneros, mas apenas com 16 tive minha primeira experiência em beijar uma mulher.

A experiência dentro da família

No primeiro momento, foi um acontecimento estranho. Minha família por parte de pai, com quem fui criada, sempre foi muito preconceituosa. A primeira vez que eu comuniquei minha avó que estava apaixonada por uma menina, ela me disse que era “coisa de sem vergonha”, que era “frescura” da minha parte, e que uma família era constituída por homem e mulher.


Fiquei confusa com isso, pois era algo que eu sentia internamente, e não uma “frescura” ou “fase” . Todos da minha família zombavam de mim, falavam que eu era “muito nova” para saber sobre o que eu realmente gostava ou não. Me senti pressionada, e desolada. Naquele momento, as pessoas que eu mais amava, minha família, não me aceitavam como eu era.


Na escola, até a primeira série eu era chamada de “Maria sapatão”, e diversos outros apelidos preconceitos. Meus colegas se afastaram de mim, e me abandonaram.
Internamente, eu sempre soube do que eu gostava, e sempre mantive a cabeça erguida, para ser o que eu sou.

Com o passar dos anos, fui amadurecendo, e só após eu virar acompanhante, com 18 anos, tive a minha primeira experiência sexual com uma mulher. Ela tinha a mesma idade que eu, foi tudo muito novo e revelador para mim. Depois daquela experiência eu tive a certeza da minha sexualidade, e a partir dali não parei mais de me relacionar com mulheres.

Agora, eu acho algo muito natural. Quando saio com meninas, ainda vejo os olhares curiosos e preconceitos, mas eu simplesmente ignoro e até mesmo faço de tudo para demonstrar minha felicidade para essas pessoas.

Bissexualidade e a carreira de acompanhante

Atualmente, atendo muitos casais, mas mulheres sozinhas são poucas. Acredito que exista muito tabu em relação a isso, pois são raras as mulheres que procuram outras mulheres como acompanhante.

Em minha carreira, atendi poucas clientes mulheres até hoje (maravilhosas por sinal). Todas na faixa etária de 35 a 40 anos. Particularmente, amo atender mulheres mais experientes.

Em minha profissão, optei por atender os dois gêneros. Por me identificar com ambos, me sinto muito bem com os dois. Cada um deles desperta desejos e sensações diferentes em mim, cada um tem seu ponto positivo e único. Acredito que a bissexualidade seja exatamente sobre isso.

Nunca impactou em minha profissão ser bissexual, pelo contrário, me abriu portas para me conhecer mais, conhecer mais o lado feminino e dar mais prazer as mulheres.

Portanto, esse é o meu relato, o depoimento de uma acompanhante, que aos 13 anos de idade se descobriu e assumiu sua bissexualidade, enfrentando todos os preconceitos impostos pela sociedade, família e “amigos”, e vencendo tudo isso.

Atualmente, sou feliz por ser quem eu sou e poder comunicar livremente, para outras pessoas que assim como eu, e demonstrar que o amor, carinho e afeto, podem sim vencer qualquer barreira imposta.

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