Paula Assunção entrevista o acompanhantes Enzo Ferrari

O mercado de acompanhantes não é feito só de mulheres. Os homens estão cada vez mais presentes e se interessando em entrar na profissão, e para sanar algumas dúvidas e curiosidades de muita gente por aí, eu trouxe o Roger Wodarski, também conhecido como Enzo Ferrari – nome profissional sugerido por um cliente que relacionou ele ao carro. Gaúcho de 27 anos, ele assume a profissão com orgulho, elegância e sensualidade.

Conheci o Enzo de forma bem inusitada. Ambos moramos em Porto Alegre, e foi com ele que realizei meu primeiro atendimento a casal junto com um acompanhante homem. Na ocasião, nós não nos conhecíamos. Chegamos no motel onde o casal nos esperava, e acabou que nosso atendimento se resumiu a conversar e dar risada, isso porque o casal percebeu que aquele era um fetiche bacana só na imaginação deles, o que é algo muito comum e inclusive já falei sobre.

Confira abaixo nosso bate papo.

Paula – O que te motivou a trabalhar como acompanhante e há quanto tempo atua? Teve ajuda de alguém? 

Enzo – O motivo foi ser meu próprio chefe. Atuo há um ano e meio e não tive ajuda de ninguém. Fui olhando os perfis, vendo a maior dificuldade dos acompanhantes e como eu poderia me diferenciar.

Paula – Qual a sua orientação sexual? Ela te atrapalha ou te ajuda com relação ao trabalho?

Enzo – Eu sou homossexual. Às vezes atrapalha em relação ao atendimento feminino.

Paula – Qual o perfil dos clientes que procuram por você? 

Enzo – Me procuram perfis variados: homens casados, solteiros, mulheres e casais. Geralmente de todas as idades, e eu seleciono o que me cabe no momento. Os assuntos conversados no atendimento são bem variados, mas o que sempre existe no diálogo é a curiosidade de quanto eu ganho e quantos eu atendo por dia. A aparência é diversificada, não existe um padrão, vem de tudo um pouco, mas eu seleciono.

Paula – Qual seu critério para selecionar seus clientes? Quem me conhece sabe o quanto eu passo raiva com uma galera no WhatsApp, você também passa por isso?

Enzo – Eu peço foto, o nome e a idade, para me dar segurança sobre quem eu vou atender, e sim, passo raiva todos os dias, mas já levo na comédia algumas coisas.

Paula – Sabemos o quanto nós acompanhantes sofremos preconceito. Houve alguma situação que você passou que marcou você? Se sim, conte como foi lidar com isso.

Enzo – Eu sempre fui independente, sobre meu trabalho e minhas escolhas, até pelo fato de ser homossexual. Nunca tive nenhum tipo de medo. Já passei por coisas bem engraçadas, mas até que foi de boa, só deletar da minha memória e seguir com a minha vida, porque quem paga os meus boletos sou eu. 

Paula – Sua família e amigos sabem do seu trabalho? Se sim, como foi pra você revelar? Vocês conversam sobre isso?

Enzo – Minha família sabe e os meus amigos também. Foi muito tranquilo com relação à família, eles só me deram um alerta: cuidado para não pegar doenças. E os amigos levaram tudo bem na boa, porque como eu sempre fui uma pessoa decidida e convivia com pessoas desse meio. Já não tiveram tanta surpresa.

Paula – Nós trabalhamos com o corpo e sabemos a importância da aparência. Você como homem acha que existe mercado para todos os perfis? 

Enzo – Eu acredito que existe mercado para todos os perfis, sim, mas os mais procurados são os com corpo “padrão”. Caras mais fortes e com pênis grande. O cliente que me procura quer um atendimento personalizado com mais carinho, atenção, companhia, algo além do sexo, então só aparência não basta.

Paula – Uma dúvida que muita gente tem é relacionada à ereção. Nós sabemos que muitas vezes atendemos pessoas que não são atraentes para nós, como você faz nesses casos?

Enzo – Eu sou muito do toque, por isso a importância do cliente passar por aquela seleção prévia no WhatsApp, para que eu tenha mais segurança de ter a relação sexual no atendimento. Quando a cliente é mulher, eu tomo estimulantes (Viagra), ou quando atendo muitos clientes no mesmo dia.

Paula – Hoje qual você diria ser a sua maior dificuldade nesta profissão, e qual a sua maior satisfação?

Enzo – A minha maior dificuldade é quando eu chego em uma cidade e vejo os anúncios dos meninos nos sites, superdesvalorizados, com um cachê muito abaixo do mercado, o que dificulta eu cobrar o valor que eu quero sem perder clientes. A minha maior satisfação é ter o feedback positivo e o retorno de clientes satisfeitos, e saber que me indicaram para amigos.

Paula – Qual foi seu pior atendimento até hoje? E qual foi o melhor?

Enzo – O pior foi no início, quando um cliente mais velho me chamava de “netinho” e eu tinha que chamar ele de “vovô”. Isso me deixou com o psicológico bem abalado na época. O melhor foi quando eu passei um mês com um cliente na Argentina. Foi um luxo. Ganhei presentes, fomos a jantares, passeios e recebi ainda o meu mês trabalhado.

Paula – Para aqueles homens que pensam em começar a trabalhar como acompanhante, quais suas principais dicas?

Enzo – No início é mais complicado ter a mente aberta porque vão aparecer muitas pessoas que você não vai gostar, que acham que podem usar o seu corpo como objeto. Não cobre barato, você deve se valorizar desde o início. Ter local de atendimento,  assim você atinge um número maior de clientes. Aprender técnicas de massagem e ter boas fotos profissionais, e anunciar no melhor site de acompanhantes, o Fatal Model.

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