uso de drogas e a profissão de acompanhante

Entre todos os estigmas que estão associados à profissão de acompanhante, o uso de drogas e álcool, sem dúvidas está entre eles e piora a imagem das pessoas que trabalham de forma séria. Não é raro encontrar na internet matérias jornalísticas que estão sempre envolvendo a questão da prostituição ao uso de entorpecentes.

Do posto de vista social e leigo, ao que parece, é que toda profissional do sexo usa drogas durante a profissão. Que a prática existe, não se pode negar, existe sim aquelas e aqueles que consomem por pura diversão e ocasião, como também existe aqueles que já viciaram e muitas vezes até usam da profissão para alimentar o vício.
No entanto, não se deve julgar todo profissional com base numa cultura retrógada. Trazendo para este artigo as minhas experiências com outras colegas de profissão, posso garantir que nesse meio, é possível encontrar pessoas que nunca nem viram drogas na vida.



Pó ou Farofa?

Em uma viagem a trabalho que fiz há dois meses, vivenciei uma situação que seria trágica se não fosse cômica e ainda bem que foi. Hospedada numa casa que funciona como um hostel para acompanhantes nômades, vamos dizer assim, conheci três colegas de profissão, uma delas, era acompanhante pouco mais de três meses.

Num determinado dia, a anfitriã recebeu alguns clientes, um grupo de cinco amigos, na casa e eles optaram a fazer um churrasco em plena quarta-feira a tarde, regada a música, cerveja, acompanhantes e drogas, é claro.

A dona da casa, que era ex garota de programa, conhecia os esquemas deles, então assim que chegaram com uma quantidade de cocaína, enfileiraram o pó em cima de um prato e ali eles se revezavam no uso. Acontece que o prato estava exposto em cima do balcão da pia, próximo a outros pratos que servíamos farofa e carne assada.

A acompanhante mais nova na profissão não sabia que aquilo era droga, e entre uma lavada de pratos e outras louças, ela juntou o prato de cocaína junto com outros e “lavou” tudo. Quando a anfitriã se deu conta que o pó tinha ido ralo abaixo, quase teve um ataque cardíaco, enquanto a novata estava sem entender o que tinha feito, pois para ela, só tinha lavado os pratos de farinha.

Para a sorte, talvez de todas nós, a dona da casa tinha uma certa quantia ainda guardada, que ela repôs rapidamente antes que os clientes tivessem percebido o que aconteceu. E nós, passado o susto, caímos na gargalhada.

Entre as decisões erradas, o uso de drogas

Desde a infância ouvimos sobre os males que a droga causa, se não pelos pais, mas na escola ou de algum outro adulto preocupado. Nesse sentido, não se pode usar a desculpa de que desconhecia seus vícios e entrou “sem querer”.

Uma vez que se sabe dos riscos envolvidos pelo uso, a opção de começar é feita de forma consciente e muitas vezes influenciado por outras pessoas. Nesse meio, quando você trabalha em boates ou casas de prostituição, pode se dizer que o acesso é bem facilitado.

Mas não pense que quem trabalha de forma autônoma com local próprio ou ainda indo atender em motel ou hotel está livre do contato, pois não está. Sempre aparece um cliente interessado mais em uma companhia para usufruir da substância do que realmente em sexo.

Não se pode dizer que a profissão de acompanhante estimula ou leve para o caminho das drogas, no entanto, é um meio facilitador, no qual, se a pessoa não estiver bem psicologicamente, há muitas chances de acabar se tornando um(a) viciado(a).

Ou seja, alguém que estará sempre vulnerável na sua vida emocional estará propícia a fazer uso de entorpecentes, independentes se a sua profissão é de acompanhante. Com mais de trinta anos de idade, acredito ter experiências o suficiente para afirmar que não é o meio que te leva a qualquer estrada torta, é o nosso equilíbrio ou desequilibro emocional.

Daí a importância de não entrar no ramo da sexualidade unicamente para resolver problemas financeiros porque à medida que a necessidade fala mais alto, a submissão às drogas e às bebidas acontece para que se alivie, temporariamente, um momento de angustia, de sofrimento de estar vivendo uma situação que não queria.

Meu conselho é que se você tem uma personalidade sensível, se sente vulnerável a opinião alheia e já tem facilidade para viciar em outras coisas, nem experimente, pois é exatamente a sensação de alívio que mascara os problemas e acarreta em outros ainda maiores. Uma vez viciado, a pessoa entrará ainda mais em situações problemáticas para sustentar o seu vício. E essa é uma das experiências desnecessárias a sua vida.

Você se identificou com o texto ou lembrou de um(a) amigo(a)? Encaminhe essa mensagem para ele(a). Sempre é tempo de valorizar a vida e a si mesmo. Para mais informações entre em contato com central de relacionamento do Ministério da Cidadania, através do telefone 121. A Central de Relacionamento disponibiliza informações para dependentes químicos e familiares que buscam tratamento, o cidadão vai saber mais sobre serviços e locais de atendimento e apoio aos usuários de drogas.

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